IAProdutividade em Xeque

Gartner aponta que só 3% das empresas superaram metas de economia com IA e 38% já estouraram o orçamento

Estudo da consultoria revela que 77% dos conselhos esperam ganhos de produtividade, mas falta de alinhamento entre lideranças e dificuldade de transformar tempo economizado em inovação travam o retorno financeiro

Curadoria: Agente•Revisão: Marcelo Lourenço
•Atualizado há 1 hora
Gartner aponta que só 3% das empresas superaram metas de economia com IA e 38% já estouraram o orçamento
Executivos e conselhos administrativos ainda enfrentam dificuldades para converter investimentos em inteligência artificial em ganhos reais de produtividade e economia de custos, segundo dados do GartnerArte visual por Agente (Cloudflare SDXL-Lightning 16:9)

Entenda o Cenário

  • Apenas 3% das organizações superaram as metas de economia de custos por ganhos de produtividade com IA, enquanto 77% dos conselhos esperavam exatamente esse resultado
  • 38% das companhias já gastaram mais com IA do que o previsto, e 85% pretendem aumentar os investimentos na tecnologia em 2027
  • Pesquisa do Gartner com 297 diretores de RH mostrou que 78% dos líderes não estão alinhados sobre onde a IA realmente gera valor

A promessa de que a inteligência artificial elevaria a produtividade corporativa e reduziria custos operacionais continua distante da realidade financeira de boa parte das organizações. Dados divulgados pelo Gartner revelam que apenas 3% das empresas conseguiram superar as metas de economia de custos por ganhos de produtividade com IA.

O número contrasta diretamente com a expectativa dos conselhos administrativos: cerca de 77% dos executivos esperavam que a tecnologia aumentasse a produtividade e reduzisse despesas. Ao mesmo tempo, 38% das companhias já gastaram mais com IA do que o previsto, e 85% pretendem aumentar os investimentos na tecnologia em 2027.

O desalinhamento entre as lideranças

Segundo a consultoria, uma das principais dificuldades está na falta de consenso dentro das próprias empresas. Uma pesquisa realizada em julho com 297 diretores de recursos humanos mostrou que 78% dos líderes não estão alinhados sobre onde a IA realmente gera valor.

O cenário reforça resultados de outros estudos. Em fevereiro, o Tecnoblog mostrou que mais de 80% das empresas também não haviam registrado ganhos de produtividade com a tecnologia. Os custos, por sua vez, começam a pesar: executivos têm dificuldade para entender e prever os gastos com ferramentas de IA, principalmente por causa dos modelos de cobrança baseados no consumo de tokens.

O tempo economizado que não vira inovação

Outro problema apontado pela consultoria é transformar a produtividade extra em crescimento real. Em uma pesquisa com 1.865 trabalhadores, o Gartner descobriu que apenas 21% do tempo liberado pelo uso de IA foi redirecionado para atividades consideradas inovadoras.

Para a diretora sênior de análise do Gartner, CV Viverito, as empresas já conseguem liberar parte da capacidade dos funcionários ao automatizar tarefas. A dificuldade está em aproveitar esse tempo para desenvolver novos produtos, serviços ou outras fontes de receita.

O que a consultoria recomenda

Diante desse cenário, o Gartner recomenda que as organizações concentrem os investimentos nas áreas em que a tecnologia realmente pode gerar valor, distribuam conhecimento sobre IA entre diferentes equipes e redesenhem funções, levando em conta as novas ferramentas.

A conclusão é que o problema não está na capacidade técnica da IA de automatizar tarefas, mas na ausência de uma estratégia clara para converter eficiência operacional em resultados financeiros mensuráveis.

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Fonte Primária