PsiQuantum revela switch óptico de silício para acelerar redes de GPUs em data centers de IA
Empresa americana adapta know-how de computação quântica para criar comutador de circuito óptico sem partes móveis que reduz perda de luz e promete desafogar o tráfego entre GPUs
Ficha Técnica
- Protótipo da PsiQuantum tem 8 portas, contra 136 do switch Palomar do Google e 300 da Lumentum
- Perda de inserção abaixo de 2 dB (menos de 37% da luz perdida), patamar similar ao de Salience Labs e iPronics
- Concorrentes usam espelhos móveis (MEMS); a PsiQuantum aposta em circuitos fotônicos estáticos gravados em silício
A PsiQuantum, empresa americana conhecida pelo desenvolvimento de computadores quânticos fotônicos, apresentou um protótipo de comutador de circuito óptico (OCS) voltado para redes de GPUs em data centers de inteligência artificial. O dispositivo usa circuitos gravados em um chip de silício sem partes móveis — uma abordagem distinta dos switches baseados em microespelhos usados por concorrentes como Google e Lumentum.
A lógica do OCS é simples na essência e complexa na execução: a luz atravessa o switch diretamente de fibra para fibra, sem conversão para sinais elétricos e de volta. Switches convencionais fazem essa conversão a cada salto, o que consome energia e adiciona latência. O circuito óptico, por sua vez, mantém um caminho fixo de luz até que uma mudança seja ordenada.
Por que a conversão elétrica virou gargalo
O problema que a PsiQuantum tenta resolver ganha escala à medida que os clusters de IA crescem. Mover dados entre GPUs está se tornando rapidamente um gargalo, e a óptica representa um salto de largura de banda sobre o cobre, que tem limitações de alcance. O objetivo é melhorar a largura de banda e a distância de comunicação para que diferentes racks de GPUs conversem em alta velocidade e ajam como um único sistema.
A principal penalidade do OCS está na quantidade de luz perdida ao atravessar o switch. Nesse quesito, o protótipo da PsiQuantum fica abaixo de 2 dB — ou menos de 37% de luz perdida —, patamar semelhante ao de soluções da Salience Labs e da iPronics, que usam amplificação embutida. O switch Palomar, do Google, baseado em espelhos, também costuma ficar abaixo de 2 dB.
A desvantagem do protótipo: escala
O ponto fraco do dispositivo da PsiQuantum é o número de portas. O protótipo tem apenas oito, contra 136 do Palomar do Google e 300 da Lumentum. A Salience Labs opera com 32. A empresa afirma ter planos de desenvolver dispositivos maiores, mas o caminho até a paridade com os concorrentes ainda é longo.
A aposta da PsiQuantum é que a arquitetura sem partes móveis traga vantagens de durabilidade e estabilidade em ambientes de data center, onde componentes mecânicos sofrem desgaste. A empresa não divulgou prazos para a versão comercial nem metas de capacidade para os dispositivos maiores em desenvolvimento.